“ASIA ADULT EXPO” VAI EXPANDIR-SE PARA OUTRAS CIDADES
Os organizadores da “Asia Adult Expo”, que terminou em Macau, pretendem expandir o evento para outras cidades asiáticas. No evento, que voltou a contar com performances “picantes”, estiveram à venda todos os géneros de “brinquedos sexuais”
A quarta edição da “Asia Adult Expo” (AAE) voltou a encher um dos pavilhões de exposições do Venetian com todo o tipo de “brinquedos sexuais” e de exibições que apelam à faceta voyeurista dos visitantes. Estes afluíram ontem em grande número às últimas horas do evento, que se prolongou ao longo de três dias, dois deles abertos ao público em geral.
Kenny Lo, presidente da Vertical Expo Services, que organiza esta feira erótica, calcula que se terá verificado um acréscimo de 30% nas entradas, quando comparado com o número registado na edição do ano passado.
Em declarações ao JTM, o empresário observou que, desde 2008, quando foi levada a cabo a primeira edição do evento, “tem havido um crescimento de 15 a 20 por cento em termos de expositores, do número de visitantes e de área ocupada”. Há também, apontou Kenny Lo, “mais comerciantes de grande dimensão oriundos dos Estados Unidos da América e do Brasil, bem como de países como o Japão, Singapura e a Austrália”. Não revelando o orçamento da quarta edição, Kenny Lo admitiu que a Vertical Expo Services tem vindo a despender “milhões de dólares” na promoção e realização do evento, sendo o retorno “crescente”.
O próximo passo da organização passa por promover uma exposição erótica com contornos semelhantes em Shenzhen, que está agendada para os dias 1 a 3 de Outubro. “Temos vindo a realizar a AAE em Macau ao longo dos últimos anos, mas penso que é tempo para expandirmos o evento para outras grandes cidades asiáticas, porque Macau é muito pequena no que diz respeito à afluência de público. Em Shenzhen há 12 milhões de pessoas e, em termos comerciais, a cidade tem influência no sul da China”, explicou o presidente da Vertical Expo Services. A expansão da “série” AAE não se ficará por aqui e há planos para realizar o evento noutras cidades ao longo do próximo ano, tais como Qingdao, no norte da China e Taipé, a capital de Taiwan. O objectivo é que a “série AAE” se expanda para uma dezena de cidades asiáticas, com ênfase na China.
Segundo Lo, as autoridades administrativas chinesas “não colocam qualquer entrave” à expansão deste género de eventos pelo país, pelo que a empresa pretende modificar o carácter das feiras eróticas que ali se realizam: “Há feiras em cidades como Cantão e Xangai, mas o seu profissionalismo é baixo. São feiras domésticas, feitas por fornecedores locais e sem presença internacional. Por isso vamos levar os nossos expositores e performances internacionais”, aponta. Os promotores planeiam ainda abrir um espaço na Internet para venda de produtos de marcas presentes na exposição erótica, com descontos para os cerca de 30 mil membros registados no “Clube AAE”.
“PRICASSO” VOLTA A IMPRESSIONAR.
Quem tenha voltado a percorrer os corredores da AAE não terá notado grandes novidades, tendo como ponto de comparação as edições anteriores. Os artigos mais em voga continuam a ser os vibradores, disponíveis em modelos de todas as cores e feitios. Com propósito semelhante, os chamados “masturbadores” e os bonecos insufláveis marcaram presença nos escaparates. Vários expositores tinham em destaque os mais diversos exemplos de “lingerie” sugestiva e algumas marcas de preservativos expunham as virtudes dos seus produtos.
No domínio da performance, o merecido destaque vai para Tim Patch, mais conhecido pelo nome artístico de “Pricasso”, que repetiu a presença na AAE. Cada retrato pintado pelo homem que diz que “pinta obras de arte com o pénis”, usando o órgão sexual para aplicar tinta na tela, custava 150 patacas, incluindo a oferta de um DVD com o registo videográfico de todo o processo de elaboração do quadro. Foram muitos os interessados em levar para casa uma pintura de “Pricasso”, mas não tantos quantos os que se concentravam junto ao palco da AAE para assistir às performances dos modelos. Perante a avidez dos flashes, vinte “performers” dançaram, cantaram, posaram para as câmaras e dedicaram-se a actividades como a “lingerie catwalk” ou o “diálogo sexual”.
Todos os expositores contactados pelo JTM notaram que o evento teve menos “stands” do que em edições anteriores, mas disseram-se satisfeitos com a promoção que puderam fazer das suas marcas. Para Jordan Weiser, da Hustler, este ano “por algum motivo, houve menos fornecedores nos stands, pelo que o evento foi uma grande oportunidade para ‘tomar’ o mercado de Hong Kong, Macau e China”. Com sete lojas em Hong Kong, a empresa americana vende essencialmente “lingerie” feminina e masculina. Os produtos fetichistas têm também grande procura, de acordo com Weiser. “Há casais que querem fazer algo de novo e apimentar a sua vida amorosa. Estes produtos são uma forma não intimidatória de fazer isso, com algemas, um pouco de dominação e preliminares. É um conceito muito interessante. Quando as pessoas pensam em fetiche, pensam em coisas assustadoras, sombrias, agressivas e demasiado loucas. Esta é uma boa forma de introduzir alguém no mundo do fetichismo”, justifica.
Presente pela terceira vez na AAE, o director da Loewie, Arnd Krusche, realça que “o evento não cresceu em termos de dimensão, mas há mais visitantes”. Por isso, aumentaram as vendas da linha de produtos distribuídos pela Loewie, uma empresa sediada em Hong Kong. Motivos que levarão a Loewie a marcar presença na edição da AAE que se vai realizar em Shenzhen dentro de mês e meio. Andreas Forbrig, o director de vendas da germânica Joydivision, informou que a presença em Macau serviu para avaliar o mercado asiático. Com mais de 250 produtos eróticos no seu catálogo, a marca pretende expandir-se, encontrando novos distribuidores e vendedores. “Este mercado [asiático] é novo para nós, mas é muito interessante. Os consumidores e retalhistas estão muito interessados nos nossos produtos”, resumiu Forbrig, que promete regressar na edição do próximo ano, já agendada para os dias 17 a 19 de Agosto.
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