PARA CADA CANTO DO MUNDO: UMA EROTICA DIFERENTE.
Depois de estar envolvida em 11 edições da nossa brasileirissima Erotika Fair e ouvir milhares de comentários, sugestões e críticas ao evento propus à nossa equipe observar mais de perto as outras feiras eróticas do mundo.
Começamos por um dos 3 berços de nossa nação, Lisboa em Portugal. Por causa da lingua, calendário e oportunidade. Passamos ainda por França e Espanha e, mesmo sem feira erótica nesses países, nosso já apurado faro para erotismo estava lá sentindo na atmosfera, que sexo também é expressão de uma cultura.
Quando cheguei a Lisboa me surpreendi com a beleza natural e histórica da cidade. Nem de perto imaginava como seria, pois Portugal não é mostrado para nós brasileiros como uma opção turística com tanta ênfase como são os outros roteiros.
O Salão Erótico (tão esperado por mim) me arrebatou pela estrutura fisica do pavilhão: moderno, amplo e aconchegante, a FIL – Feira Internacional de Lisboa abrigou uma feira ainda tímida e de simples e eficiente organização.
A promotora espanhola PROFEI, organizadora do Salão Erotico, da Eros Porto e de muito mais outros festivais eróticos em países de língua espanhola investe em entretenimento como ponto central para atração de visitantes ao evento.
Introduzido em Portugal, em 2005 a pedido de António Baptista, proprietário de sex shop pioneiro de Portugal, a Contranatura, o Salão Erotico de Lisboa 2010 apresentou poucos stands de produtos e muitos de shows. O que deve facilitar o relacionamento expositor-promotora, pois é menor o número de solicitações por assessoramento durante o evento. Os shows e empresas de DVDs adultos, em visivel parceria com a promotora, imprimem o ritmo e brilhantismo ao pavilhão, e ao mesmo tempo, divulgam sua marca e elenco.
Mas por traz da estrutura dessa vitrine está um mercado erótico que ainda engatinha. Deslumbrado com o mundo do cinema adulto e suas estrelas. País com sérias restrições à prostituição e com forte moral do século passado, tem lindos shows de strip, burlesco, pole dance, lesbos e transformistas. Portugal ainda é voyer. Suas mulheres estão curiosas de como apimentar a relação, mas muito receosas de como serão interpretadas. Conhecemos no Espaço Mulher do Salão Erotico, professoras de artes sensuais, sexólogas e revendedoras porta-a-porta que aos poucos, trabalhando como formiguinhas, ensinarão os primeiros passos a uma sexualidade mais livre de tabus.
Muitos casais visitaram a feira nos últimos dois dias de evento. Era notável o prazer da descoberta, da cumplicidade de estar vivendo a aventura de se expor de mãos dadas à uma gama intensa de informação sobre erotismo. Analisando esse fato, podemos supor que o Salão Erótico cumpre sob medida sua tarefa de mostrar publicamente novas possibilidades para a sexualidade, e que assim, aos poucos irá fomentando público e mercado.
A cobertura de imprensa também era bem simples: com tanta informação imagética, era ligar ou disparar a câmera. Impossível fazer entrevistas, quem veio pautado para isso se deslocava para uma área aberta fora do pavilhão onde o barulho não vazava. O que por um lado facilita o trabalho da equipe de assessoria de imprensa, visto que todas as informações a serem transmitidas ficaram atidas ao material do press-release previamente enviado ou distribuído no próprio evento. Por outro lado, é uma cobertura ainda superficial, presa às presenças famosas no evento, sem recortes direcionados ao comportamento dos vistantes, ao interesse do consumo pelos produtos expostos.
Na pequenina sala de imprensa, a equipe da Speedcom animada em fazer parceria conosco. Jorge que trocava impressões de trabalho em feiras eróticas comigo, trouxe-me a certeza de que algumas coisas ainda temos em comum: os expositores não mandam material de divulgação para a assessoria de imprensa! Carla, portuguesa que cresceu no Brasil, já ensaia blogs e outras participações de redes sociais sobre erotismo e se diverte com o conhecimento que adquire disso. Gabriel, brasileiro que foi trabalhar em Portugal, sempre tão prestativo, nos salvou ao indicar locais para jantar após à feira. Sou muito grata a todos vocês.
Aproveito aqui também para agradecer à Raquel da PROFEI, à Marta da Tangerine Wear (stand que nos acolheu) e à Sara da Contranatura, rede portuguesa pioneira de sex shops, onde nossos manuais My Vibe podem ser encontrados.
Nossa participação no 6º Salão Erótico de Lisboa foi um grande aprendizado e nos garantiu mais nas conversas de bastidores do que na visibilidade do nosso projeto. Sempre comento com a Paula que plantamos uma sementinha nas terras do além mar.
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