Preconceito cede espaço para um negócio lucrativo

Ilhota também se transforma na capital das sexshops

Francieli faz a venda de artigos eróticos com naturalidade
Francieli faz a venda de artigos eróticos com naturalidade / Foto: Jornal Metas

Comprar artigos eróticos já não parece assim tão difícil para o consumidor. E nem para os lojistas venderem. Além da internet, que ainda responde por boa parte das vendas, cresce o número de lojas especializadas neste segmento. Conhecida como a capital catarinense da moda íntima e da moda praia, Ilhota também já pode ser chamada de cidade das sexshops, como são chamadas as lojas que comercializam artigos eróticos. O setor ganha fôlego na carona das vendas de lingerie e similares, hoje, ao lado da moda praia, o grande filão comercial de Ilhota.

O mercado de sexshops é tão promissor em Ilhota que os comerciantes estão investindo na ampliação dos negócios. A Instinto Feminino, pioneira das sexshops em Ilhota, promete para até o final deste ano uma filial especializada na venda de artigos para “apimentar” a relação sexual. “Hoje, as pessoas veem as sexshops muito mais com curiosidade do que com preconceito”, afirma a gerente da loja, Patrícia Laurina de Oliveira. Segundo ela, o forte da venda da Instinto Feminino ainda são as lingeries, porém os artigos eróticos já ocupam boa parte do espaço físico da loja e dos negócios. Hoje, já são mais de 150 produtos oferecidos na loja. Segundo ele, os “sacoleiros de sexshops” (vendedores autônomos que compram para revender os artigos) representam a maioria da clientela. Já no varejo, diz ela, “o cliente vem para comprar lingerie, mas muitos acabam levando produtos eróticos”.

Segundo Patrícia, as fantasias ainda são as mais preferidas dos clientes. E tem para todos os gostos: de empregada doméstica, passando por escrava do prazer, noiva, tigresa, babá até a tradicional enfermeira.

Bicho Mulher
A Bicho Mulher, localizada também na região central de Ilhota, comercializa artigos eróticos há um ano. As vendedoras Francieli Pereira e Alexandra Nogueira, não veem nenhum problema em explicar aos clientes a finalidade de cada produto. “Na primeira venda fiquei constrangida, pois o cliente era um homem, mas hoje já não tenho dificuldade em explicar a utilidade do produto”, afirma Francieli. Se ela, no entanto, percebe uma segunda intenção, corta o cliente na hora. “Até hoje, poucas vezes isto aconteceu”, garante a vendedora. Com as mulheres, acrescenta Alexandra, “tem-se mais intimidade, daí a venda fica mais fácil”. As mulheres, observa ela, “querem sempre apimentar a relação sexual.”

A Bicho Mulher oferece artigos eróticos para todos os gostos e bolsos. Alguns custam menos de R$ 1,00, outros chegam a R$ 167,00, como no caso dos vibradores mais sofisticados. O “xodó” do momento, de acordo com Alexandra, é o “hot bol” (bolinha quente), para uso íntimo feminino durante a relação sexual. O produto é vendido a R$ 6,90 o par. Outro que tem a preferência da clientela é o Vulcania, uma pomada (feminina e masculina) que esquenta, esfria e faz pulsar o órgão sexual tanto masculino quanto feminino. Há, ainda, produtos que simplesmente acentuam a libido, como os perfumes eróticos.  O Pheromona (R$ 29,00) é o mais procurado no momento. A Bicho Mulher comercializa ainda jogos de cartas e de dados para strip-teasers, além do tapa sexo solúvel em vários sabores, lubrificantes, pomadas, desodorantes íntimos entre outros. A lista inclui também acessórios que servem para brincadeiras entre amigos, como o tesômetro. Outros produtos  podem ser adquiridos por catálogo disponivel nas lojas, com prazo de entrega de 15 dias.

Clientes de 18 a 80 anos

Francieli e Alexandra já passaram por situações engraçadas. Entre elas a de uma cliente que ligou da loja para o marido para perguntar se ele queria um determinado produto. “Deu para perceber que ele ficou furioso, e repreendeu a mulher por estar numa sexshop. Passados alguns minutos, ele voltou a telefonar para ela e disse que até não era má ideia comprar o produto. Ela acabou levando o produto e outros mais”.
Segundo Francieli (foto), raramente o casal compra os artigos eróticos juntos. “Primeiro, eles vêm e olham, as vezes com o pretexto de comprar ligerie; outro dia volta a mulher ou o homem para efetuar a compra”. As mulheres de acordo com vendedora, são a maioria dos clientes da sexshop, e algumas são cativas. “Elas retornam, elogiam o produto e compram mais”. Também não existe faixa etária de. A loja tem clientes de 18 a 80 anos. Casada, a vendedora diz que seu marido encara naturalmente o fato dela trabalhar em uma sexshop. “Não existe este tipo de preconceito lá em casa, ele sabe que este é o meu trabalho”, finaliza.

Onde encontrar artigos eróticos em Ilhota

Bicho Mulher
Rua 21 de junho, 160
Fone: 3343-7221

Instinto Feminino
Rua Pedro Castelain, 178
Fone: 3343-1950

Fonte: Jornal Metas

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