Sexo Acadêmico: Da Sedução de Jean Baudrillard
“(…) na publicidade, o efeito é não tanto juntar sexo a uma máquina de lavar (isso é absurdo), mas conferir ao objeto essa qualidade imaginária do feminino de estar disponível, à mercê, nunca retrátil, nunca aleatório.”
Da Sedução, Jean Baudrillard.
Uma das maiores dificuldades de quem se aventura a fazer um trabalho acadêmico que toque no tema de sexualidade e erotismo é a falta de boas referências. Muitas vezes é complicado separar o que é válido do que é dispensável e a chance de cair em livros a lá auto ajuda é gigantesca. A importância de ter grandes autores lá na última parte de qualquer investigação vai muito além de simplesmente agradar os professores, pois é um chão firme dentro deste território tão escorregadio (literalmente!) que é o sexo. Sendo assim, a partir de hoje vou apresentar um livro por semana que me ajudou na árdua tarefa de estudar, compreender e convencer os professores que sim, lugar de sexo também é na escola!
Vou começar pelo livro de cabeceira do meu trabalho de conclusão de curso: Da Sedução do Jean Baudrillard. Li ele uma vez, re-li umas quinze. O autor foi um filósofo e sociólogo francês contemporâneo cujo pensamento é muito influente seja nos campos críticos e científicos, seja na arte. Lembro que fiquei extasiada quando vi o sumário de “Da Sedução” recheado com tópicos como “Pornô-estéreo”, “O medo de ser seduzido”, “O lúdico e a sedução fria”, etc.
Já aviso: ler Baudrillard não é fácil. Pelo contrário, é tortuoso, mas instigante. Não que as palavras me si sejam difíceis de compreender, mas o estilo é carregado, pesado. Recomendo depois da leitura de umas folhas uma boa dose de TV (no meu caso, intercalei Baudrillard com Guia do Mochileiro das Galáxias!). O livro todo gira em torno de definições conceituais de termos como o próprio sexo, feminino, masculino, sexualidade, erotismo chegando até no pornográfico (sim, pornográfico como conceito teórico!).
Baudrillard defende o feminino (conceitualmente falando) como o mundo dos sonhos, da imaginação, dos ciclos que se abem e se fecham, o mundo das aparências; já o masculino é tratado como ação, realidade, poder, historia como começo, meio, ápice e fim. Levado ao físico, estes pressupostos conceituais podem ser traduzidos na própria fisiologia do orgasmo da mulher e do homem.
O que mais fascina na leitura de “Da Sedução” são as finas ligações que o autor vai traçando em torno dos termos entre si e da função do sexo dentro da nossa sociedade, função essa que defende de forma crítica ser uma aliada do sistema de produção de bens. Para quem quer pesquisar sobre sexualidade humana, é um livro necessário e muito, muito sedutor!
Clarissa Reche
Para saber mais:
BAUDRILLARD, Jean. Da Sedução. Campinas: Papirus, 1991.
R$ 39,90 na Livraria Cultura
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