Responsabilidade Social também para o mercado erótico

Por quê não? Sim, também podemos através de pequenas e criativas (e que por isso acabam sendo grandes) ações contribuir com a sociedade.
Precisamos mostrar à Opinião Pública que, além de proporcionarmos muitas vezes qualidade de vida aos relacionamentos e à própria sexualidade individual de cada um, também atuamos como os outros mercados: apoiando iniciativas sócio-culturais.
A Erotika Fair já é um grande exemplo. Sempre deu espaço para campanhas de prevenção de DST’s e AIDS. Em 2008, a organização do evento inclusive foi além, promovendo o 1º Fórum de Combate à Pedofilia e Prevenção da Prostituição Infantil com a moderação da terapeuta e educadora sexual Ana Canosa. A Aguiarnet, uma das fundadoras da A.T.E.N.A.S., e prestadora de serviços em tecnologia do mercado erótico criou para essa ocasião, a campanha que alcançou não apenas as empresas expositoras daquela edição como também seus clientes: um banner virtual ficou disponivel para download em um blog para adesão de sites e lojas virtuais:
http://abeme.blogspot.com/
Também em outubro de 2008, aconteceu o 1º Salão Sex Design, com a curadoria de Clarissa Reche, hoje brilhante colaboradora da A.T.E.N.A.S. A Hot Flowers, fábrica de produtos sensuais de Indaiatuba honrou seu papel de destaque como empresa 100% nacional e patrocinou o espaço.
Apaixonada pelo teatro, Aurea Karpor, uma das fundadoras da A.T.E.N.A.S. dedicou uma pesquisa inteira que desse voz à sensualidade nos palcos de São Paulo. O Núcleo Cênico Projeto BaZar, do qual Aurea é diretora, levantou a peça “Sexo Verbal”, em que foram pesquisados autores da literatura nacional, cujos textos tenham de alguma forma a sexualidade como temática, entre eles: “Porno Pop Pocket”, de Paula Taitelbaum, “Phoder”, de Marcelino Freire, “Romântica pra cacete e Drive–in”, de Tati Bernardi, “Aos Pedaços”, de Rodrigo Levino e “Caderno Negro” de Hilda Hilst.
Este projeto teve orientação em literatura do autor Marcus Aurélius Pimenta e culminou em três resultados distintos: “Missa do Galo” – intervenção cênica; “SEXO VERBAL” – espetáculo e “Que amores são esses?” – série de debates sobre as relações entre literatura, sexualidade e teatro.
“Sexo Verbal” ficou em cartaz por 3 anos, ocupando espaços alternativos como a CADOPO e o Casarão Belvedere e conquistou grande sucesso de público e crítica, sendo agraciada inclusive pelo Prêmio “Cidadania em respeito à diversidade” na categoria ARTES CÊNICAS, em junho de 2009.
Nessa trajetória, várias empresas do mercado erótico estiveram presentes apoiando e patrocinando o projeto: Aline Lingerie, Darme, Desejos & Prazeres, Eros Magia e Fetiços Aromáticos.
A A.T.E.N.A.S. também tem muito a agradecer à Aline Lingerie, Eros Magia e Inside Cosméticos pelo patrocínio do 3º Seminário Empreender no Mercado Erótico, realizado em outubro de 2009, durante a 15ª Erotika Fair. Com o apoio financeiro dessas empresas, conseguimos montar todo o projeto (que também contou com o apoio de todos os palestrantes convidados), levando assim informações técnicas de qualidade aos lojistas de sex shops, revendedores e até mesmo a distribuidores e novos empreendedores do mercado erótico.
Agora, temos grandes desafios pela frente. Só aqui na A.T.E.N.A.S. temos alguns projetos que irão precisar de apoio financeiro e institucional e que podem ainda proporcionar grande visibilidade e contrapartidas sociais:
- Temporada de IRA, espetáculo baseado no livro “Xadrez, Truco e Outras Guerras” do jornalista e escritor José Roberto Torero, em cartaz no Teatro Arena Eugênio Kusnet (FUNARTE), em fevereiro e março.
- Projeto 4 às 3ªs, que leva todas as terças-feiras para o Teatro Nelson Rodrigues, em Guarulhos, peças teatrais com a temática de sexualidade.
- Apresentações do espetáculo DDP 4469, baseado no processo de censura da peça “Perdoa-me por me traíres de Nelson Rodrigues” na mostra FRINGE do Festival de Teatro de Curitiba em março.
- Seriado de TV “Arouche By-Night”, o primeiro seriado brasileiro voltado para o público gay, o universo homossexual de um grande centro urbano.
- Erotika Video Awards 2010, que este ano será em formato de mostra competitiva, privilegiando a produção independente do cinema adulto. Estão previstas 69 horas de atividades, entre exibições com votação popular, debates e oficinas, que serão distribuídas entre os dias 12 e 15 de abril, em São Paulo. A cerimônia de apresentação será dia 18 de abril.
- Nos Jardins de ATENAS, nosso evento conceitual que foca a sexualidade como expressão cultural, artística, estética e sensorial a ser realizado em junho, em São Paulo.
Muitos outros projetos estão por aí, como oportunidades, como ondas de frequência à espera de serem detectadas pelo radar de sua empresa. Escolha um projeto que mais se assemelhe com sua imagem institucional. Apoie uma causa, ajude quem trabalha refletindo, produzindo arte, entretenimento, ajudando a outras pessoas a melhorarem a vida. Depois divulgue isso a seu público. Faça com que todos percebam que além de melhorar o próprio relacionamento, adquirindo um produto ou serviço sensual-erotico, estão ao mesmo tempo contribuindo para uma ação social.
Os interessados podem nos contactar pelo e-mail: julianna@atenasonline.com.br ou telefone (11) 26751310 / 62834164.

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Caso da aluna da Uniban pela Professora de Pompoarismo Lu Riva

Ética? Dignidade? Moralidade?

Depois de uma semana muito corrida, cursos, reuniões acabei deixando o Twitter e o blog um pouco parados, mas um assunto me deixou extremamente assustada e tenho tentado acompanhar de perto a repercussão da “Pelada da UNIBAN” na mídia…

Como mulher, não posso deixar de manifestar meu repudio ao que foi feito a essa menina. Assisti aos vídeos postados no YouTube e as cenas são nojentas, como um país que se diz tolerante e liberal como o Brasil permite um ato de barbárie dentro de uma de suas universidades mais populares ?

geisy

Qual o motivo de tamanha revolta dos alunos a ponto de uma colega ser escorraçada do campus aos gritos de P…, Vadia e etc. ? O fato de ela estar usando uma mini saia? O fato de a mesma aluna estar se insinuando ou desfilando na faculdade?

Pode parar… Que hipocrisia é essa. Hoje (08/11/2009) saiu à notícia em todos os portais da internet que a tal “Geisy” foi expulsa e segundo consta da nota publicada como anúncio publicitário em jornais neste domingo por parte da UNIBAN o motivo do desligamento da mesma foi “em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

A falha em proteger e impedir o quase linchamento público da estudante foi ético por parte da faculdade? Não consigo acreditar que 700 pessoas instantaneamente começaram a se manifestar e a agir contra a garota, onde estavam os seguranças que quando viram alguns mais exaltados não intervieram para evitar tamanho tumulto? Se a vestimenta (que a meu ver não tinha nada de tão extraordinário) era tão aviltante a dignidade acadêmica por que foi permitida a entrada?

Moral é a aluna agredida além de humilhada ser expulsa enquanto os agressores sofrem apenas a seguinte sanção: “Suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, os alunos envolvidos devidamente identificados no incidente ocorrido no dia 22 de outubro” afinal estavam “numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar” segundo o mesmo anúncio publicitário.

Então estes agitadores, travestidos de “alunos”, foram nomeados agora como protetores da “moral e dos bons costumes” e por isso estavam em uma “Cruzada Santa”.

O que mais me causa espanto é que houve apoio por boa parte do publico feminino que freqüenta o campus, nenhuma delas se atentou para o precedente que estão abrindo e muito menos que estão jogando pelo ralo, anos de esforços na luta pela defesa dos direitos femininos.

Muitas das mulheres que procuram meus cursos buscam justamente aflorar uma sexualidade latente, vezes para melhorar sua auto-estima, vezes para reacender a chama da paixão em seu relacionamento, nós mulheres somos cobradas pela aparência e postura. Todo homem deseja uma PUTA na cama e uma DAMA na sociedade, inclusive uma das principais dificuldades das alunas é justamente se libertar destas amarras, por isso quero citar a visão de uma Psicóloga sobre o fato ocorrido dia 22/11 em reportagem publicada no site da Revista Época:

[Para a psicóloga Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, a reação dos estudantes e da universidade refletem posições contraditórias e "hipócritas” da sociedade em relação à mulher. “Por um lado, a nossa cultura diz que a mulher tem que valorizar o corpo, afinal de contas, tem que ser bonita tem ser gostosa e tem que se mostrar. Por outro lado, a mulher é punida quando assume tudo isso com tranqüilidade. ”Isso quer dizer que, para a sociedade, em termos de sexualidade, a mulher deve ser objeto de desejo e não de manifestar o seu desejo, sua sensualidade, concluiu Rachel”.]

A questão principal a meu ver não é a reputação da “Geisy”, se ela estava ou não trajada adequadamente ou até mesmo se ela estava se “exibindo” e sim a intolerância e violência que foram demonstrados. O mesmo tipo de vestido nas celebridades dos programas televisivos é alvo de exaltação por parte do público, na TV pode, no carnaval, nas baladas, nos barzinhos e nas ruas pode, porque em uma instituição de ensino não pode?

Cria-se o estereótipo, mas se a mulher o segue deve ser punida.

Na posição de: Mulher, Publicitária formada, Ex-Militante da UNE, Ex-Presidente do C.A. de Comunicação – Vladimir Herzog – UBC - Universidade BRAZ CUBAS – Mogi das Cruzes de 1998 á 1999, Esposa, Sex-Trainer e Pompoarista para concluir esta postagem deixo as palavras que iniciam o comunicado emitido nesta tarde por parte Diretoria de Mulheres da UNE – União Nacional dos Estudantes:

“Episódio de violência sexista acaba em mais uma demonstração de machismo”

Link para nota publicada como anúncio publicitário em jornais neste domingo (08/11/09) por parte da UNIBAN: http://migre.me/b2XB

Link para o comunicado divulgado na tarde deste domingo (08/11/09) pela  União Nacional dos Estudantes (UNE): http://migre.me/b2Yz

Ministra vai pedir explicações sobre expulsão de aluna hostilizada – reportagem publicada no site da Revista Época, Link: http://migre.me/b33j

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PRECISO COMENTAR? C.E.N.S.U.R.A

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AS BOAS JUSTIFICATIVAS

aliás-lateralAlguma coisa me dizia para comprar os jornais impressos de domingo. Ao abrir o caderno de cultura ILUSTRADA da Folha de São Paulo, foi impossível não fazer referência à citação de Ferdinando Martins que usei em minha primeira colaboração a este site. Deparei-me com a matéria de capa “Classificando no Escuro” sobre a classificação indicativa de filmes.

Pasma fiquei ao verificar alguns critérios, citados pela matéria, que “regulam” essa classificação.

Dos 16 itens apontados, oito (50%) faziam menções à sexualidade ou ao corpo com palavras como incesto, promiscuidade, prazer, linguagem erótica. Isso sem falar no item para a classificação 12 anos: “Apresentação de comportamentos repreensíveis/ não desejáveis”.

Não desejáveis aos olhos de quem? A arbitrariedade censora ainda está presente em nossa sociedade, tendo em vista que tais critérios serão sempre “arbitrados” pelo regulador/classificador dos filmes. E principalmente, coisa que poucos se dão conta, a CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA 18 anos PROÍBE o menor, mesmo acompanhado pelos pais ou responsáveis, assistir ao filme numa sala de exibição.

A matéria também retrata essa realidade a partir do depoimento de uma mãe indignada. O Governo inicia campanha com o mote “Não se engane, tem coisas que seu filho não está preparado para ver” Olha aí uma boa justificativa da censura! Estamos retrocedendo?

Depois de ler esta matéria, muito bem feita por sinal, fui a outro jornal e na capa do Estado de São Paulo vejo chamada para o caderno ALIÁS “Democracia e Imprensa em tempos de internet e censura”. Três páginas inteiras dedicada à democracia X censura na imprensa. Falam de Sarney, de Al-Zaidi (o que atirou o sapato no Bush), de critérios adotados pelo MERCOSUL.A promotora pública venezuelana fala abertamente “A segurança nacional deve prevalecer sobre a liberdade de expressão”. E ao tratar da internet o titulo foi “Democracia ateniense online?”.

Além de Deusa Grega, Atenas foi o berço da democracia. Acho que ser colaboradora da www.ATENASONLINE.com.br nunca fez tanto sentido!

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SEXO, ESPETÁCULO E CENSURA

“..sempre que há alguma censura, mesmo disfarçada,
ela se apresenta com uma boa justificativa…”

Ferdinando Martins

Utilizo esta citação de Ferdinando Martins, Professor Doutor da ECA USP, para iniciar minha colaboração a este site. Tenho pesquisado a censura, especificamente aos espetáculos em São Paulo, no período entre a década de 20 e 60. A maioria de nós, ao pensar em censura, imagina um cenário político forte, onde a ditadura cometeu suas barbáries. No entanto me deparei com um quadro extremamente interessante: a década de maior incidência de censura, dentre estas que estudo, é a década de 50, sobretudo a censura MORAL – que incluía desde referência a partes do corpo até, por exemplo, a palavra AMANTE.

A palavra amante era sistematicamente censurada. Há quem conte que uma certa atriz se recusou a fazer determinado papel porque ela tinha que falar esta palavra.

Para mim, que venho de um espetáculo onde textos que versavam sobre a sexualidade eram trabalhados, deparar-me com esta realidade em que 52% das peças teatrais liberadas tinham cortes de natureza moral, e em que o assunto mais vetado em primeiro lugar era a sexualidade, me fez pensar a respeito de duas questões das quais acredito ainda estar longe de uma resposta: Qual o valor de uma censura tão arbitrária em relação a questões sexuais? Ainda hoje existe a censura moral?

Eu acredito sim que há ainda hoje uma censura moral, camuflada. Hoje se fala muito em “controle social”, por “sérias” instituições não governamentais, inclusive. CUIDADO: a censura à internet, meio de comunicação tão atual e eficaz, e do qual me utilizo para publicar estas palavras, está cada vez mais acirrada. Há quem ainda seja a favor da censura prévia como temos visto recentemente. Há jornalistas sendo ameaçados, caso noticiem sobre coisas que “não devem ser ditas ou mostradas”.

CENSURA NÃO É EDUCAÇÃO! Os problemas não serão resolvidos (assim como não foram enquanto havia a censura) proibindo determinado assunto. Meio século depois e falar de sexo ainda é tabu para alguns! É preciso garantir o direito da liberdade de expressão, apesar do limite tão tênue que existe entre isso e as leis vigentes.

VIVA O SEXO! FALEMOS DE SEXO! FAÇAMOS SEXO, por que não?

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