Boa tarde Paula,
Sou Liana Rocha, repórter do Caderno 2 + do jornal A Tarde (Salvador – BA). Estou fazendo uma matéria especial para capa de domingo sobre as novidades em acessórios e brincadeiras eróticas. Como criadora do Guia Sexshop de negócios, gostaria de lhe entrevistar, porque acredito que poderia enriquecer muito a matéria.
Muito obrigada!
1 – Por que decidiu criar o guia?
O guia inicialmente era para ser um guia de vibradores (que em breve teremos, pois ainda buscamos patrocinadores para ele). Outro sonho era poder relatar as historias do nascimento do mercado erótico brasileiro que eu sempre ouvia e que sobre isto não havia nenhum documento oficial. Então optamos neste primeiro momento em levantar recursos próprios e com a ajuda de patrocinadores fizemos este registro histórico e também aproveitamos para orientar os novos empreendedores com informações históricas e também como iniciar no setor.
2 – Como está o mercado de sexshops no País?
Estamos atravessando um momento realmente importante para o mercado brasileiro, onde novos tipos de negócios nasceram do tradicional sexshop, e estão se firmando, onde novos perfis de consumidores e consumidoras estão entrando em contato com os produtos e onde empreendedores com muita vontade de modificar a visão da sociedade a cerca do “mundo do sexshop” vem aagregando muito conteúdo e novidade ao setor através de produtos e cursos para o bem estar sexual do individuo, é o chamado “erotismo politicamente correto”.
3 – Há diferença entre as lojas voltadas para o público feminino ou masculino, heterossexual ou homossexual? Quais são?
É mais que natural que as lojas sejam diferenciadas pelo publico consumidor. Ambientes são criados para que cada público se identifique e permaneça mais tempo em contato com os produtos. É a melhor maneira de consumir conscientemente. Antigamente as lojas eram espaços escuros em que as mulheres se sentiam constrangidas em permanecer por muito tempo. O publico masculino é mais objetivo, o publico feminino mais lúdico, vive uma compra mais baseada em experiência, portanto é algo que os empresários devem pensar na hora de decidir qual publico irá atender. Quanto a lojas focadas no publico homossexual, acredito que é necessário sim criar espaços específicos a este público, pois os produtos devem atender a esta demanda, que existe principalmente em grandes capitais brasileiras. Ainda não temos, que eu saiba, um espaço assim no Brasil, mas este espaço deve contemplar o público homossexual com beleza, alegria e ícones de identificação, e também ser um espaço de debates, conhecimento e troca de experiências para o grupo atendido.
4 - Qual o perfil do consumidor de sex-shop brasileiro? Este perfil muda de estado para estado?
Acompanhamos o crescimento do publico feminino, o inicio deste crescimento se deu com o advento das boutiques sensuais eróticas em 2002 / 2003, observamos que o publico AA, A e B, está em total sintonia com os produtos, lançamentos e todo o conhecimento necessário ao consumo dos produtos. Agora as classes C, D e E estão descobrindo os produtos via consultoras, salões de beleza e lojas de lingerie, presentes e perfumes, tendo também os catalogos sensuais eróticos como forte aliado na comercialização para a base da pirâmide social.
Vemos também que as regiões sul e sudeste ainda são a grande força econômica do mercado, mas cada vez mais o setor está expandindo rumo ao norte-nordeste do Brasil. Para você ter uma idéia, já recebemos informações de produtos eróticos em uma aldeia do xingu através de uma consultora de venda de sexshop na sacola.(como chamamos as consultoras que adquirem produtos nos fabricantes ou distribuidores para revender a domicilio).
5 – Quais os produtos prediletos?
Sem dúvida nenhuma os géis com aquecimento e aroma são os produtos prediletos da maioria dos consumidores, em seguida os vibradores realísticos (talvez pelo preço e facilidade de uso). No Brasil eu digo sempre que possui um fenômeno em torno da cosmética, porque é simples, barato e proporciona a qualquer casal momentos incríveis, mas que em outros países é diferente, porque a mulher brasileira é diferente, somos generosas, meigas e o prazer está sempre ligado ao proporcionar também prazer ao parceiro, isto realmente é algo difícil de ver em outros países como os EUA e mesmo a Europa. A mulher aprendeu com artigos em revistas e jornais e matérias de professoras como Fátima Moura a introduzir os produtos na relação de forma muito suave, começando com o lingerie e a cosmética e somente quando há o sinal verde do parceiro, é que ela traz novos elementos para a relação.
6 – O que o consumo nos sex-shops pode indicar do comportamento sexual brasileiro?
Que a mulher cada vez mais comanda a relação é uma certeza, que tem buscado se conhecer, buscado o prazer e também melhorar seu relacionamento, ser completa enfim, para que o parceiro não busque fora da relação outros elementos. Que os homens estão mudando, se abrindo e sendo mais cúmplices da relação também é uma observação, agora eles também compram lingeries e trazem fantasias para suas parceiras. Alias os produtos mais consumidos pelos homens são: vídeos, fantasias para a mulher e elementos sado como chicotes, algemas e mascaras.
7 – O que queira acrescentar
É necessário capacitar o novo empreendedor do mercado brasileiro para lidar com um publico cada vez mais exigente e conhecedor de seus direitos como consumidor. A qualidade, o bem estar e a saúde sexual são fatores de uma nova tendência no mercado erótico mundial. Já estamos diante de vibradores ecológicos 100% recicláveis e que não utilizam pilhas ou baterias de lítio, produtos são criados com materiais atóxicos e com design que privilegia a saúde e o bem estar dos consumidores. O Brasil está diante de grandes mudanças no setor, o consumidor precisa ser instruído, orientado para um melhor aproveitamento e uso correto dos produtos, aí está o grande desafio, orientar nas escolhas, entraremos enfim a partir de 2010 na década das escolhas e agregar valor superior aos produtos será exigido de todo o mercado erótico mundial.
Abraços, Paula Aguiar.
Partilhar
Sem comentário